APRESENTAÇÃo
O III Congresso Internacional de Gerontologia: "Juventude e Maiores: envelhecimento ativo e solidariedade intra e intergeracionalidade" e o II Congresso Internacional de Geriatria: "O adoecer, a doença e o envelhecimento ativo" como eventos multidisciplinares são uma iniciativa de índole científica da Escola Superior de Educação João de Deus em parceria com a Associação Industrial Portuguesa.
O carácter multidisciplinar do evento, “Portugal Maior 2012 – Encontro Internacional para o Envelhecimento Ativo”, apresenta um objetivo natural que é congregar um conjunto de investigadores para explanarem e dissecaram as últimas teorias e experiências no campo social da saúde e da doença.
Analisemos alguns dados estatísticos para se compreender “who is who” nos próximos vinte e cinco anos.
Segundo as previsões das Nações Unidas, até ao ano de 2050, os países da Europa do Sul terão as mais elevadas proporções de pessoas com 65 anos de idade ou mais.
Em Portugal, segundo as projeções do Instituto Nacional de Estatística em 2046, a proporção de população jovem reduzir-se-á a 13% e a população idosa aumentará dos atuais 17,2% para 31% e em 2050 o número de idosos com mais de 65 anos será de 2,95 milhões, o que corresponde a ter 238 idosos por cada cem jovens. O dobro dos valores atuais: 112 idosos para cem jovens. Observando estes fatos compreenderemos a importância da intra e intergeracionalidade.
No mundo, o número de idosos amplificar-se-á significativamente, passando de 606 milhões para cerca de 2 mil milhões em cinquenta anos. O aumento será mais marcante nos países pobres, onde a população idosa se quadruplicará, passando de 374 milhões para 1,6 mil milhões.
Este novo quadro demográfico tanto pode ser um perigo como uma nova oportunidade, visto que ser-se velho comporta em si mesmo um estatuto de experiências, olhares-saberes e olhares-saber-fazer a serem aproveitados. Simultaneamente, é o estigma de um ser já desvinculado social, cultural e economicamente que transporta o rótulo e a etiquetagem do mito da inflexibilidade face à mudança, o mito da improdutividade laboral e o mito da (falta de) autoestima.
Com os dados demográficos apresentados e com as iatrogenias do envelhecimento urge a necessidade de estreitar a intergeracionalidade entre a população idosa e a juventude.
Os peritos em gerontologia, como os gerontólogos e os “cuidadores” de pessoas idosas, devem estar preparados técnica e cientificamente para planearem e intervirem na prevenção da estabilidade da arquitetura: intelectual, informacional, lúdica, perceptiva, sensorial e cinestésica da pessoa idosa.
As doenças, consideradas, do envelhecimento, com o aumento da esperança de vida na Europa, África, Ásia e América, provocam na pessoa idosa sentimentos de vazio social, dependências – familiar, económica, social, cultural e política - e de exclusão social.
É do senso comum, e demonstrado pelas ciências da saúde e das humanidades, que o idoso, com o avançar da idade, adquire:
- Perturbações ligadas às dificuldades de locomoção;
- Delapidação gradativa da somatognosia;
- Deterioração da cognição e da memória de curto e longo prazo, do trabalho, do sensorial, do reconhecimento, do conhecimento e do processamento.
Toda esta problemática causa inúmeros sofrimentos ao idoso, contribuindo significativamente para a estigmatização, o isolamento e a exclusão social, levando-o à tristeza e depressão. Deprimido, aliena-se de tudo o que o rodeia, terminando na sua morte por isolamento familiar, espacial e sociocultural.
Para que “o mais velho” ou “o maior”, usufrua de uma melhor qualidade de vida - saúde física, psicológica e espiritual – é necessário estimulá-lo através de atividades psicomotoras (educação física), de estimulação cognitiva (leitura, música, pintura, etc.), de técnicas de relaxamento e de meditação (o envelhecimento ativo). Todas estas atividades optimizarão a auto-estima, a autoconfiança e a autoimagem.
O “cuidador de pessoas idosas”, o gerontólogo, deverá estar munido de conhecimentos de artes expressivas, científicos, metodológicos, ergonómicos, tecnológicos, funcionais e éticos, para proporcionar uma intervenção de qualidade a nível da dimensão cultural e social, da participação comunitária, do associativismo e dos aspectos pessoais e educativos.
Este evento científico tem como finalidade “caminhar no(s) caminho(s) do arco íris” da saúde, da doença, da farmacologia e nas diversas estratégias do processo do envelhecimento, de envelhecer, da velhice e do morrer com dignidade.
Como envelhecer bem é uma aprendizagem, no aprender a aprender da vida, sobre a dinâmica interna da comunicação relacional entre o corpo-mente, psique-soma e espírito-alma procuraremos neste evento científico encontrar respostas para todas estas problemáticas.
Sejam bem-vindos.
O Coordenador do Congresso
Joaquim Parra Marujo