O envolvimento parental na escola e o seu papel no ajustamento académico tem sido alvo de múltiplos estudos, que revelam, na sua maioria, uma associação positiva entre envolvimento parental na escola e desempenho académico (Englund, Luckner, Whaley & Egeland, 2004; Epstein, 1991; Griffith, 1996; Grolnick & Slowiaczek, 1994; Hong & Ho, 2005; Iverson, Brownlee & Walberg, 1981;Reynolds, 1992; Stevenson & Baker, 1987; Van Voorhis, 2003; Villas-Boas, 2001; Zellman & Waterman, 1998) e apontam o baixo envolvimento parental na escola como um factor de risco para o abandono escolar (Potvin et al., 1999). Estes estudos enquadram-se numa perspectiva teórica que se designa por ecologia do desenvolvimento humano (Bronfenbrenner, 1979). O modelo ecológico considera que os indivíduos só podem ser totalmente compreendidos na relação com os contextos relacionais, sociais e culturais em que estão incluídos. O desenvolvimento na infância não é apenas afectado pelos ambientes mais imediatos com os quais a criança interage (a família, os pares, a escola e a comunidade), sendo igualmente influenciado pela relação que esses sistemas estabelecem entre si. Neste sentido o sistema que resulta da relação escola/família é uma importante referência no estudo do desenvolvimento na infância.
Ao longo do tempo, a relação escola-família foi sofrendo algumas transformações, evoluindo de uma relação assimétrica, onde era atribuído um maior poder à escola e um papel mais passivo aos pais, para uma relação mais simétrica, de maior proximidade e onde a colaboração estreita entre família e escola é desejável (Diogo, 1998). Esta consciência recente da necessidade de envolver os pais na escola é consequência da investigação no campo da Psicologia Educacional que, como já foi referido, tem evidenciado os benefícios de um trabalho de parceria entre pais e escola. No entanto esta consciência nem sempre se traduz por uma aproximação efectiva da família à escola. No contexto Português, um estudo realizado por Davies e colaboradores (1989) mostrou que, no caso das escolas do 1º ciclo, a extensão dos contactos escola-família era diminuta, resumindo-se praticamente ao envio de mensagens pelos professores quando as crianças tinham algum problema a duas ou três reuniões por ano caracterizadas por baixa assiduidade por parte dos progenitores, e por poucas actividades na escola que envolviam a participação dos pais. As maiores dificuldades nesta relação surgiam no caso das famílias de baixo estatuto sócio-económico, em que os progenitores, embora se mostrassem interessados em colaborar na educação dos filhos em casa, segundo os autores, não tinham competências nem conhecimentos para “fazer mais”. Da mesma forma, as difíceis circunstâncias de vida em que estes pais se encontravam e o desconhecimento de como podiam participar mais na escola e na educação dos seus filhos tornava, segundo Davies et al. (1989) estas famílias “mais difíceis de envolver”. Assim, um importante preditor do envolvimento parental na escola seria o contexto cultural e económico das famílias. Este dado é preocupante, uma vez que são precisamente as crianças de famílias desfavorecidas e pertencentes a minorias, as que mais beneficiam com uma relação mais estreita entre escola e família. Outros preditores do envolvimento parental na escola identificados na literatura são: os estilos parentais educativos, as expectativas dos pais, a percepção que os pais têm das suas competências educativas, a saúde mental dos progenitores, a estrutura familiar (monoparental/intacta), o nível de ensino em que a criança se encontra e as atitudes e as práticas do professor e da escola para envolver as famílias (Grolnick, Benjet, Kurowski & Apolstoleris, 1997; Hill & Taylor, 2004; Kohl, Lengua & McMahon, 2000).
Outros estudos têm incidido sobre os efeitos do envolvimento parental na escola no desempenho e ajustamento académico. Grande parte dos estudos apoiam a existência de efeitos positivos, embora outros revelaram efeitos negligenciáveis ou efeitos mistos do envolvimento parental na escola no desempenho académico de crianças e adolescentes. Diferentes explicações têm sido avançadas para esta inconsistência de resultados. Entre elas, o facto destes estudos recorrerem a diferentes medidas de envolvimento parental, que avaliam dimensões diferentes do envolvimento com efeitos distintos no sucesso académico e dos estudos incidirem sobre diferentes etapas do desenvolvimento. Assim, interessa conhecer em que contextos e que tipos de práticas de envolvimento parental na escola têm resultados mais positivos em termos da aprendizagem e da adaptação das crianças à escola.