Resultados

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[1.Caract. da Amostra]  [2.Diag. do Envolvimento Parental]  [3.Dados da Transição de Ciclos ]

[4.Determ. do Envolvimento Parental]  [5.Envolvimento Parental e Ajustamento]  [6.Referências Bibliográficas]

 


1. Caracterização da Amostra

As características dos alunos e das famílias que participaram no primeiro momento de avaliação estão descritas no Quadro seguinte.

Quadro 2: Características gerais dos alunos e das suas famílias no 1º momento de avaliação (n=591)

 
Freq. (%)
Sexo
Feminino
281 (47,5)
Masculino
310 (52,5)
Ano de escolaridade
283 (47,9)
308 (52,1)
Agregado familiar
Nuclear intacto
516 (87,3)
Outros
75 (13,7)
Nível Sócio Económico
Baixo
209 (35,4)
Médio
186 (31,5)
Médio –Elevado e Elevado
196 (33,2)
Zona de residência
Rural
105 (17,8)
Semi-urbana
185 (31,3)
Urbana
301 (50,9)
Escolas frequentadas pelos alunos
Públicas
317 (53,6)
IPSS (Jardim Escolas João de Deus)
274 (46,4)


Como podemos observar a amostra apresenta uma distribuição mais ou menos equilibrada em termos das variáveis sexo, ano de escolaridade e nível sócio-económico. As crianças pertencem na sua maioria a famílias nucleares intactas. Emboras as diferentes zonas de residência, rural, semi-urbana e urbana estejam representados, as crianças habitam maioritariamente em zonas urbanas e semi-urbanas. No que concerne ao tipo de escolas que os alunos frequentam, existe um número ligeiramente maior de alunos que frequentam o ensino público.

Do segundo momento de avaliação fizeram parte 234 alunos que transitaram para o 5º ano de escolaridade. Ao observar o Quadro 3 verificamos que relativamente ao segundo momento de avaliação, a distribuição dos alunos pelas diferentes categorias das variáveis sócio-demográficas é semelhante ao primeiro momento de avaliação.

Quadro 3: Características gerais dos alunos e das suas famílias no 2 º momento de avaliação (n=234)

 
Freq. (%)
Sexo
Feminino
118 (50,4)
Masculino
116 (49,6)
Agregado familiar
Nuclear intacto
200 (85,5)
Outros
34 (14,5)
Nível Sócio Económico
Baixo
84 (35,9)
Médio
78 (33,3)
Médio –Elevado e Elevado
72 (30,8)
Zona de residência
Rural
40 (17,1)
Semi-urbana
84 (35,9)
Urbana
110 (47,0)
Escolas frequentadas pelos alunos
Ensino Público
189 (80,8)
Ensino Particular e Cooperativo
45 (19,2)

Contudo, no segundo momento de avaliação, a proporção de crianças que frequenta o ensino público é bastante superior às crianças que frequentam o ensino particular e cooperativo. O aumento da proporção das crianças que frequentam o ensino público deve-se à transição de um número considerável de crianças que frequentavam anteriormente ensino particular e cooperativo para o ensino público (cerca de 45,5% das crianças que frequentam o ensino público no 5º ano).

 

2. Diagnóstico do envolvimento parental em escolas portuguesas

O estudo procurou, em primeiro lugar, analisar a realidade do envolvimento parental em escolas portuguesas, tal como ele é percepcionado por professores e por pais. O envolvimento parental foi avaliado por dois questionários, uma versão para professores e uma versão para pais. Os questionários avaliam três importantes dimensões do envolvimento parental: comunicação escola-família, envolvimento dos pais em actividades na escola e envolvimento dos pais em actividades de aprendizagem em casa. A avaliação de diferentes dimensões de envolvimento parental parte do pressuposto que o envolvimento dos pais na escola pode ser feito de múltiplas formas e que diferentes práticas de envolvimento parental têm repercussões distintas no sucesso académico e ajustamento emocional dos alunos.
O perfil de envolvimento parental na escola em função dos diferentes tipos de envolvimento apresenta-se muito semelhante quer para os diferentes informadores, pais e professores, quer para os diferentes momentos de avaliação, 4º e 5º ano (Figuras 3 e 4). O envolvimento parental na escola é percebido como moderado a elevado nas práticas relacionadas com a comunicação escola família (por ex., iniciativa com que pedem ao professor informações sobre o progresso do filho, comunicação ao professor de problemas escolares do filho, assiduidade à reunião de pais) e nas práticas relacionadas com o envolvimento nas actividades de aprendizagem em casa (por ex., verificar se o filho fez os trabalhos de casa, realizar com o filho actividades que o ajudam nas aprendizagens, ensinar o filho a planear e organizar o tempo). Por outro lado, o envolvimento dos pais em actividades na escola (por ex., organização de eventos, realização de voluntariado na escola, etc.) é percebido  como moderado a baixo.

fig1
Figura 3: Envolvimento parental na escola percebido pelos professores no 4º e no 5º ano de escolaridade.

 

fig2
Figura 4: Envolvimento parental na escola percebido pelos pais no 4º e no 5º ano de escolaridade

Estes resultados sugerem que a presença dos pais na escola ainda não é uma prática frequente, sendo mantidos padrões tradicionais de relacionamento escola-família, mais centrados no desempenho académico das crianças. O afastamento dos pais do espaço escolar pode dever-se a diferentes factores: a cultura das escolas não promotora da participação dos pais, a escassa existência de programas que promovam o envolvimento dos pais em actividades no espaço escolar ou a existência de actividades com horário que tem pouco em conta a necessidade dos pais, a diminuta disponibilidade dos pais para a participação em actividades que perspectivam como pouco relevantes para o sucesso do seu educando, entre outros.

Os resultados do presente estudo sugerem a existência de diferenças de percepção entre pais e professores relativamente ao envolvimento parental na escola. Os pais percebem significativamente níveis mais elevados de envolvimento parental que os professores. Reynolds (1992) encontrou os mesmos resultados, referindo que tais resultados devem-se ao facto de pais e professores apresentarem concepções distintas do envolvimento parental na escola e ao facto dos contextos em que operam serem também distintos. Esta diferença de percepções entre pais e professores é mais acentuada em famílias monoparentais. Este dado pode traduzir um maior afastamento destas famílias da escola e concretamente do professor. Num estudo realizado no contexto Norte-Americano, Epstein (1990) observou que eram os professores que menos recorriam ao envolvimento parental na escola que percebiam uma maior diferença entre o envolvimento parental de famílias nucleares intactas e de famílias monoparentais. O menor conhecimento das famílias por parte destes professores, faria com que a sua percepção fosse mais orientada pelo estereótipo relativamente aos pais separados/divorciados, que são vistos como não possuindo os recursos necessários para cumprir as responsabilidades da família.

Por outro lado, os professores fazem, igualmente, uma avaliação menos diferenciada das diferentes formas de envolvimento parental do que os pais, estando a avaliação que fazem do envolvimento dos pais em actividades de aprendizagem em casa associada à avaliação que fazem da comunicação entre a escola e as famílias. Isto pode dever-se ao pouco conhecimento dos professores sobre o envolvimento dos pais em actividades de aprendizagem em casa. Assim, a percepção do professor poderá ser inferida a partir do que o professor tem oportunidade de observar relativamente ao interesse dos pais no progresso escolar e nas dificuldades dos filhos, entre outros episódios de comunicação escola-professor. Assim, estes resultados sugerem que os pais fornecem uma avaliação mais rica e discriminativa do seu envolvimento parental na escola. As respostas dos pais aos questionários apoiam a ideia de que os pais se podem envolver de forma diferente no que diz respeito (1) ao envolvimento mais pró-activo em actividades na escola e voluntariado, (2) ao envolvimento da família em actividades de aprendizagem em casa, (3) à iniciativa para comunicar com o professor, e (4) à assiduidade e participação em actividades no espaço escolar.

No que diz respeito à presença no projecto educativo da escola de actividades de envolvimento parental, 65% das escolas públicas e todas as escolas do ensino particular referiram a sua existência. Grande parte estas actividades de envolvimento parental contempladas no projecto educativo consistem na participação dos pais em acontecimentos na escola (Festas de Natal, Dia do Pai e da Mãe, ...), sendo que actividades que envolvem uma participação mais proactiva dos pais e uma presença mais sistemática dos pais nas escolas (participação em projectos, participação em actividades de voluntariado na escola) aparecem com pouca frequência nos projectos educativos. Outras actividades que não aparecem contempladas no projecto educativo são as relacionadas com a educação parental e com a promoção do envolvimento parental nas actividades de aprendizagem em casa. É ainda de referir que das escolas do 1º ciclo que integraram a amostra deste estudo no primeiro momento de avaliação, uma maior percentagem das escolas públicas (55%) tem associação de pais, ao passo que nas escolas do ensino particular apenas uma tem associação de pais.
Das 59 escolas que integraram o estudo no segundo momento de avaliação, a maioria das escolas públicas têm associação de pais (81%), ao passo que nas escolas do ensino particular uma maior percentagem de escolas não tem Associação de Pais (58%). No que diz respeito à presença de actividades de envolvimento parental na escola, estas estão presentes numa percentagem considerável de escolas públicas (58%) e na grande  maioria das escolas do ensino particular (84%). Mais uma vez verifica-se o padrão constatado para as escolas do primeiro ciclo, uma vez que as actividades que com mais frequência são contempladas no projecto educativo referem-se à presença dos pais nas escolas para acontecimentos festivos.

Síntese

 

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