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[1.Caract. da Amostra] [2.Diag. do Envolvimento Parental] [3.Dados da Transição de Ciclos ]
[4.Determ. do Envolvimento Parental] [5.Envolvimento Parental e Ajustamento] [6.Referências Bibliográficas]
O estudo procurou averiguar que factores estavam associados a um maior ou menor envolvimento parental na escola. O conhecimento destes factores é importante por duas razões. Em primeiro lugar, o conhecimento dos factores que promovem o envolvimento parental na escola, tem implicações a nível do desenvolvimento de projectos de prevenção que visam uma maior participação dos pais na vida escolar dos seus filhos. Em segundo lugar, identificando alguns factores de risco para um menor envolvimento parental, podem ser criados programas específicos para determinados grupos onde o envolvimento parental seja mais escasso.
De todas as variáveis consideradas, as que dizem respeito às características da família e das crianças surgem como as mais relevantes para a participação dos pais na vida escolar dos filhos. Os resultados apontam dois factores como preditores significativos da percepção de pais e professores do envolvimento parental na escola: a escolaridade dos pais e as práticas educativas parentais.
O facto das famílias mais carenciadas e dos pais com menos escolaridade estarem mais afastados da escola é um facto bem estabelecido na literatura (Davies et al., 1989, Stevenson & Baker, 1987; Vilas Boas, 2001). Um estudo de Davies et al. (1989), conduzido no contexto português, verificou que os pais de classes mais desfavorecidas e com menos escolaridade têm mais dificuldade em estarem envolvidos na escola, uma vez que têm menos confiança nas suas capacidades, demonstram mais atitudes de passividade e deferência e estão mais preocupados com questões de sobrevivência. Para além dos constrangimentos temporais, a menor comunicação escola-família nestas famílias pode também dever-se a uma menor confiança para iniciar os contactos com a escola, ficando muito dependentes da própria iniciativa da escola para a comunicação de aspectos importantes relativos aos filhos e à própria escola. A escola para estes pais é um espaço estranho e pouco convidativo, onde a sua presença é requerida apenas em situações problemáticas e onde a comunicação escola-família é feita num registo negativo (comunicação de problemas de comportamento, más notas,...).
Relativamente ao efeito significativo das práticas educativas parentais, os resultados revelam uma associação positiva entre suporte emocional da mãe e envolvimento parental na escola. Assim, o facto dos pais estarem mais envolvidos na escola, procurando comunicar com o professor, participando em actividades escolares do filho e acompanhando a sua aprendizagem em casa pode ser uma manifestação de práticas educativas e estilos parentais marcados por uma maior proximidade afectiva e envolvimento positivo por parte dos pais.
Por fim, é importante salientar que são sobretudo as variáveis relativas à mãe, e não as variáveis referentes ao pai, que se mostram significativamente preditoras do envolvimento parental na escola, percepcionado por professores e pelos pais. Estes resultados podem indicar que a mãe ainda permanece como a principal responsável pelo acompanhamento da vida escolar dos filhos.
Na sua generalidade, a investigação tem apoiado a existência de uma relação positiva entre envolvimento parental na escola e resultados positivos (menos problemas de comportamento, menos abandono escolar, e maior sucesso académico) para as crianças nos primeiros anos de escolaridade. Contudo, existem várias questões por explorar, entre as quais conhecer se as diferentes formas de envolvimento parental são igualmente importantes para o sucesso e para a adaptação das crianças à escola e se esses efeitos se verificam em famílias de diferentes níveis sócio-económicos.
Os resultados deste trabalho vão no sentido dos encontrados por outros estudos que reportam um efeito positivo do envolvimento parental na escola no desempenho académico das crianças. Encontram-se igualmente efeitos positivos no ajustamento emocional, avaliado pelos problemas emocionais/comportamentais percepcionados por professores e pais e pela auto-estima percebida pelas crianças. Estes efeitos são positivos para crianças de diferentes níveis sócio-económicos e para os alunos quer do 3º e 4º ano de escolaridade, quer para os alunos do 5º ano de escolaridade.
Contudo, foi encontrada alguma variabilidade do efeito do envolvimento parental no desempenho em função da fonte que o avalia. A avaliação dos professores do envolvimento parental na escola é a que mostra associações mais fortes com o sucesso académico das criança e a avaliação do envolvimento parental pelos pais é o que mostra associações mais fortes com os diferentes indicadores de ajustamento emocional.
Foi igualmente encontrada alguma variabilidade em função do domínio de envolvimento considerado. Assim, os domínios que parecem ter mais peso são os relacionados com a comunicação escola-família e aprendizagem em casa (percebidas pelo professor) e as actividades na escola/reuniões de pais (percebidas pelos pais).
Deste modo, os resultados vêm enfatizar a importância da comunicação entre a família e a escola para o desempenho académico e funcionamento adaptativo da criança. A literatura revela que a modalidade de comunicação entre escola e família é a mais básica de todas e que qualquer programa da escola que pretenda fortalecer o envolvimento parental na escola, deverá começar por promover uma comunicação eficaz entre escola/professores e família.
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