Sugestões

1. Sugestões Para os Professores e para as Escolas

As escolas devem ser promotoras de políticas/estratégias que promovam a maior aproximação das famílias à escola. Os pais podem ser envolvidos de diferentes formas e cabe à escola proporcionar uma diversidade de modalidades de envolvimento parental na escola. Joyce Epstein (1991,1996) promoveu uma tipologia de modalidades de envolvimento parental na escola, que pode ser útil como instrumento de reflexão-acção das escolas. É importante averiguar em que medida a escola proporciona o envolvimento em cada uma das modalidade e reflectir se estas estão de acordo com as necessidades da escola e das famílias:

Ajudar a família a cumprir as suas obrigações básicas. Ajudar as famílias a estabelecer as condições (alimentação, saúde, segurança...) que são requisitos básicos para a aprendizagem, a desenvolver práticas educativas adequadas às necessidades das crianças e a compreender o desenvolvimento e as necessidades das crianças e adolescentes em cada período do desenvolvimento. Estes objectivos podem ser concretizados, por exemplo, através da educação de pais por técnicos convidados pela escola, de aconselhamento individual aos pais, de informação escrita, e de um processo de encaminhamento para outros técnicos e instituições da comunidade. 

Promover a comunicação entre a escola e a famílias. A escola deve estabelecer sistemas de comunicação bilateral, procurando disponibilizar canais de comunicação diversos (reuniões de pais, reuniões individuais com a família, contactos telefónicos, caderneta do aluno, boletins da escola, e-mail) de forma a alcançar todas as famílias. A comunicação deve ir além das dificuldades escolares e de comportamento e da avaliação do aluno. As reuniões de pais devem ser clarificadoras do projecto educativo da escola, regulamento interno e projecto curricular de turma. As reuniões individuais com os pais devem fornecer informação acerca dos progressos e dificuldades do aluno e de como os pais devem ajudar as crianças a ultrapassar essas dificuldades. Devem ser igualmente aproveitadas para conhecer melhor a família e as suas necessidades.

Envolver os pais em actividades no espaço escolar. Para além dos tradicionais eventos que a escola promove (actividades de início e fim do ano lectivo, festas de Natal, Dia da Mãe, Dia do Pai), a escola pode oferecer oportunidades mais diversificadas que possibilitem a participação da família com o objectivo de melhorar o espaço escolar. Os pais (e avós) podem participar, por exemplo, na supervisão de recreios, no apoio à biblioteca e sala de estudo e na organização de actividades de tempos livres. Para isso a escola deve conhecer as disponibilidades e competências dos famílias, ter oportunidade de oferecer formação para funções específicas que os pais/avós possam vir desempenhar na escola, e calendarizar as actividades tendo e conta as disponibilidades da família.

Envolver os pais em actividades de aprendizagem em casa. Os pais são importantes na aprendizagem e no progresso escolar das crianças. Para que os pais possam desempenhar o seu papel com eficácia necessitam que o professor os informe acerca das competências que a criança deve adquirir em cada momento da aprendizagem e de como podem estar envolvidos em actividades de aprendizagem articuladas com trabalho que o professor desenvolve na sala de aula. Isto pode ser feito, por exemplo, comunicando aos pais os objectivos de aprendizagem através de uma informação semanal ou mensal, estabelecendo contratos entre aluno-pais- professor, ensinado os pais a importância da monitorização e encorajamento/reforço dos trabalhos para casa e elaborando actividades de aprendizagem interactivas, onde os pais sejam chamados a participar.

Envolver os pais na tomada de decisões. As famílias devem ser envolvidas nas tomadas de decisão, quer através da representação dos pais nos organismos da escola em que esta representação já está prevista, quer em grupos de reflexão-acção criados para a resolução de problemas que visem a melhoria da escola. Isto pode ser concretizado se as escolas ajudarem a manter as Associações de Pais activas (facilitando espaço físico, reuniões de coordenação com a direcção da escola),  procurarem cativar pais de todos os níveis sócio-económicos e etnias e de diferentes grupos profissionais que estão presentes na escola a fazerem parte das Associações e criarem grupos de reflexão sobre problemáticas chave onde incluam representantes dos pais.

Envolver a comunidade. A escola deve procurar partilhar as suas responsabilidades e recursos com as diferentes instituições e organismos existentes na comunidade (câmara municipal, junta de freguesia, centro de saúde, associações recreativas e culturais,...). Por exemplo, informando as famílias e os alunos acerca dos recursos e actividades que podem encontrar na comunidade, como actividades de tempos livres e recreativas, acontecimentos culturais, serviços de saúde, serviços sociais e colaborando com os diferentes organismos de forma a promover actividades de formação/sensibilização aos pais e aos alunos, a disponibilizar recursos que satisfaçam algumas necessidades da escola, e a promover a integração e a transição dos alunos para outras instituições de ensino ou de trabalho, entre outros.  

Qualquer programa de envolvimento parental na escola deve por começar por fortalecer a comunicação entre as famílias e as escolas. A comunicação escola família é o requisito básico para a existência de outras formas de envolvimento parental na escola. Quando a escola e a família comunicam de forma eficaz, os pais têm mais probabilidades de estabelecer uma relação de confiança e um clima de cooperação com o professor e com a escola, as interacções entre a escola e a família aumentam, os pais percepcionam a escola e os seus profissionais de forma mais positiva, entendem melhor as políticas da escola e a acção dos professores, acompanham melhor os progressos da criança....

A escola deve estar atenta aos grupos de pais mais vulneráveis a estarem menos envolvidos na escola. A escola pode aproximar mais estas famílias, quebrando o ciclo de afastamento. É importante lembrar que são precisamente as crianças destas famílias que mais beneficiam de um maior envolvimento dos pais na escola. Um grande preditor do envolvimento parental na escola é o nível sócio-económico e o nível educacional dos pais. Estas famílias que por vezes são designadas por “famílias difíceis de alcançar” têm relativamente às outras famílias dificuldades adicionais para se envolverem na escola: horários de trabalho pouco flexíveis, falta de recursos, preocupações com questões de sobrevivência, percepção de baixa competência para tratar de assuntos relacionados com a escola e memórias negativas relacionadas com a sua própria experiência com a escola. As escolas e os professores devem conhecer estas dificuldades e procurar contorná-las com: horários flexíveis de atendimento aos pais; estabelecendo uma abordagem positiva de aproximação às famílias (estabelecer o contacto com a família no início do ano para dar-se a conhecer e conhecer a família, contribuindo para a construção de uma imagem mais positiva da criança por parte da família, tornando visíveis os recursos e competências da família e construindo novas competências), tornando a linguagem clara e acessível a todas as famílias, diversificando a forma de comunicar com as famílias e em algumas alturas recorrer ao contacto telefónico ou à visita domiciliária para manter a comunicação com aquelas famílias que têm mais dificuldade em deslocar-se à escola.

Na transição para o 2º ciclo a escola deve continuar a promover a aproximação dos pais à
escola
. Neste período as crianças são sujeitas a consideráveis níveis de stress académico, o que se traduz em algumas crianças numa diminuição significativa do seu desempenho e auto-conceito académico. A família pode funcionar como elemento protector nesta mudança se a escola souber envolver os pais de forma a que estes possam prestar um apoio efectivo neste momento crítico. Os pais no 5º ano de escolaridade mostram-se tão ou mais disponíveis e interessados comparativamente com anos anteriores e o envolvimento parental na escola mantém-se um preditor significativo do ajustamento académico e emocional no 5º ano. A escola deve, deste modo, procurar a aproximação das famílias à escola através da figura do director de turma. O envolvimento parental na escola não se deve resumir à comunicação sobre problemas/dificuldade e à avaliação. A transição para o 5º ano pode ser um bom motivo para actividades de formação/educação de pais relacionadas com a promoção de competências de estudo e de aprendizagem, envolvendo as famílias nas actividades desenvolvidas nas áreas de estudo acompanhado e de projecto. Devem ser criados sistemas eficazes de comunicação bilateral entre escola e família - informações acerca do projecto educativo, do projecto curricular de turma, informações e orientações para que as famílias possam ajudar os alunos em casa no que diz respeito à aprendizagem. Por outro lado, verificando-se um maior abandono da escola no 5º ano, que ocorre principalmente em famílias de nível sócio-económico baixo, o director de turma (ou o tutor-professor do aluno) deve desde o início do ano promover a comunicação com estas famílias, no sentido de ajudar as famílias a construir competências para poderem acompanhar a vida escolar dos seus educandos. O director de turma deve planear várias reuniões individuais com a família ao longo do ano (tendo em consideração a disponibilidade das famílias) de forma a poder promover um relação de confiança e um clima de colaboração.

A escola deve preparar antecipadamente a integração dos novos alunos. Podem ser promovidas diferentes intervenções com vista à redução do stress associado à transição de escolas e de ciclos. Os resultados deste estudo mostram que na transição do 1º para o 2º ciclo deve ser dada especial atenção a dois aspectos: dificuldade dos alunos do 5º ano em responder adequadamente às exigências e tarefas escolares e vitimização dos alunos mais jovens pelos mais velhos. A diminuição do stress no domínio académico pode ser conseguida, por exemplo, através da aprendizagem de competências de estudo e de gestão de tempo, que pode ser abordada na área de Estudo Acompanhado. Deve, igualmente, existir uma maior articulação entre os diferentes docentes do conselho de turma de forma a dosear de forma mais racional o trabalho que as crianças levam para casa, aproveitando a transversalidade de alguns conteúdos programáticos.  Sob o ponto de vista da prevenção de incidentes relacionados com a pressão para o desvio e vitmização dos alunos mais novos a escola pode fazer a adaptação dos novos alunos de forma gradual e permitir que estes conheçam a escola e o seu pessoal (por exemplo, através da participação em actividades extra-curriculares) mesmo antes de frequentarem a escola. A monitorização dos recreios é fundamental, uma vez que estes incidentes ocorrem com mais frequência nestes espaços. Recorrer à tutoria de pares e promover a continuidade das relações entre colegas de anos anteriores, são outras estratégias possíveis. Os programas de prevenção do stress escolar não deve ser concretizados sem que previamente cada escola faça um diagnóstico de necessidades e a análise da situação específica do stress escolar entre os seus alunos. O combate ao stress escolar para ser eficaz deve partir de uma avaliação da situação particular de cada contexto e ter em consideração o que são as prioridades de cada escola.

 

2. Sugestões para os Pais

Comunique com o seu filho acerca da escola: É importante conversar com o seu filho acerca do que se passa na escola, respeitando simultaneamente a sua necessidade de privacidade. As crianças e os adolescentes passam muitas horas na escola, sendo importante manter-se próximo do seu quotidiano. Ao perguntar o que fez na escola e o que aprendeu, está a enviar uma outra mensagem  que é “a escola e o que tu fazes na escola são importantes para mim”.

Procure proporcionar ao seu filho experiências de aprendizagem: A família é um contexto de aprendizagem fundamental. Há formas muito simples de promover a aprendizagem: ler aos seu filhos, ouvi-los ler, conversar com eles acerca de diferentes temas, assistir em conjunto a programas televisivos e pedir-lhes a opinião acerca daquilo que estão a ver e a ouvir, passear, ir a museus e sítios com interesse histórico e cultural, demonstrar e partilhar o seu interesse e curiosidade por tudo aquilo que o rodeia... Não se esqueça que para além disso, é um modelo importante para o seu filho e as suas actividades e interesses são observados por ele e, em alguma medida, adoptados por ele. A supervisão e, por vezes, a ajuda directa nos trabalhos escolares são necessários. Ajudar a organizar um horário de estudo (adequado às necessidades de cada criança/adolescentes e sem exageros!), ensiná-lo a estudar, e proporcionar um ambiente de estudo facilitador é outra forma de ajudar o seu filho.

Comunique com escola do seu filho: Sabemos que uma boa comunicação entre a família e o professor facilita a adaptação à escola e a aprendizagem de crianças e adolescentes. Ao falar com o professor/director de turma pode obter informações acerca do que os professores e a escola esperam dos alunos relativamente a questões como o comportamento e a aprendizagem, as evoluções e as dificuldades do seu filho, como ajudar o seu filho nas tarefas escolares e promover actividades de aprendizagem em casa. Esta é também uma oportunidade de conhecer como é o seu filho noutros contextos  que não o familiar. Por outro lado, o professor/director de turma também ganha com esta experiência, porque fica a conhecer melhor o seu filho e a sua família. Com uma adequada comunicação entre a família e a escola é mais fácil estabelecer objectivos comuns e de os comunicar com uma maior clareza à criança.  Ir à escola uma vez por trimestre, no horário de atendimento aos pais é, nesta medida uma prática aconselhável.  Esta horário de atendimento não deve apenas ser utilizado para resolver problemas!

Participe nas actividades da escola: As actividades organizadas pelas escolas para os alunos e famílias envolvem geralmente muitas horas de preparação e o investimento de muitas pessoas. Nestas actividades tem oportunidade de conhecer melhor o espaço onde o seu filho despende tantas horas, de conhecer os colegas e as famílias dos seus filhos, os professores e outro pessoal da escola. A sua ajuda poderá ser muito útil na preparação destas actividades. Por vezes, a escola também pede a sua colaboração na organização de acontecimentos festivos, na melhoria do espaço escolar, e na resolução de problemas. Os pais são parceiros importantes e a sua contribuição é valiosa.