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Na
sequência das Oficinas de Formação e da reunião com a Direcção do Instituto
Pedagógico do Mindelo, foram estabelecidos os objectivos para o desenvolvimento
da fase seguinte de trabalho, entre os quais a se inclui a recolha, pelos
professores de escolas básicas, de material para análise linguística e
didáctica.
Objectivos
da colaboração dos professores da escola básica
- Recolher exemplos
das variedades locais das expressões de comunicação,
em Crioulo e em Português, entre professores e alunos, entre
alunos e entre alunos e família, durante as actividades de
sala de aula e as actividades não curriculares.
- Recolher trabalhos
de expressão plástica associados a texto livre dos alunos.
Exemplos:
a) Uma pintura e um texto sobre um tema livre desse mesmo aluno, relacionado
ou não com a pintura, caso lhe agrade a proposta. b) máscaras;
c) a letra de uma música preferida da criança, tal e qual
como ela a diz; ...
A recolha será realizada por uma estagiária na Escola Engº
Humberto Duarte Fonseca, no Mindelo, numa turma de 2º ano, de alunos
repetentes.
A supervisão
estará a cargo da Professora Margarida Santos, Coordenadora da
Prática Pedagógica e da Unidade de Investigação
Educativa.
Escolas:
- Ilha de S. Vicente:
Chã de Monte Sossego, Campim, Lazareto, Ribeira de Vinha, Engº
Humberto Duarte Fonseca, Chã de Cemitério. No caso particular
de Chã de Cemitério (turmas apenas do 5º ano),
será feita a análise de textos para verificar quais
as estruturas da língua materna (Crioulo) que se mantêm.
- Ilha de Santo
Antão: Porto Novo e Paúl.
- Ilha de Santiago:
Tarrafal, Santa Catarina e Santa Cruz.
Nota
importante: Indicar, sempre que possível,
o local de nascimento da criança e da família, e há
quanto tempo habitam no local de residência actual.
EXEMPLOS
DE INFORMAÇÕES QUE PODEM SER RECOLHIDAS
Exemplo
1 - Preparação de ficha
bilingue para apoio à aprendizagem do vocabulário temático,
com autonomia
Tema:
A cidade: Mindelo e seus Habitantes
| Kriolu
|
Português
|
Francês
|
| Profesor/a |
O/a professor/a |
Le maître / La maîtresse |
| Dotor |
O/a médico/a |
Le docteur / Le médecin |
| Vendedera |
O/A vendedor/a |
Le vendeur / La vendeuse |
| Peskador |
O pescador |
Le pêcheur |
| Pexera |
A peixeira/ vendedora
de peixe |
La vendeuse de poisson |
| |
|
Le poissonnier |
| |
|
La poissonnière |
| Kriansa |
A(s) criança(s) |
L’enfant / Les enfants |
Contextualização
destes vocábulos em frases mais utilizadas no dia a dia.
1.1.
Kriolu - Onte um ba pa dotor.
Português - Ontem eu fui ao médico.
1.2.
Kriolu - Kel vendedora é mut karera. (variedade de Santiago:
Kel bendedera ta bende karu.)
Português - Aquela vendedeira é muito careira / vende muito
caro.
Exemplo
2 - Guia de Conversação entre adultos e crianças
(Expressões
de "sobrevivência" na escola para crianças que
não dominam o Crioulo e/ou o Português)
2.1.
Kriolu - Bo kre ba xixi / pupu?
Português - Queres ir fazer chichi / cocó?
2.2.
Kriolu - Bo ten xixi?
Português - Tens chichi?
Exemplo
3 - Recolha de formas lexicais locais
3.1. Vocábulos
ou expressões associados à actividade agrícola
e à água da rega (como ocorre em Santo Antão).
3.2. Variedades locais no léxico, tal como é usado pelas
crianças e pelos adultos que com ela se relacionam nas actividades
diárias.
Ex.: pescoço
peskosu - em Santiago
goela - em Santo Antão
Ex.: mascarado
(Santo Antão) maskaradu = homem que rouba
(Santiago) maskaradu = homem com máscara de Carnaval.
Exemplo
4 - Expressões em Crioulo, utilizadas
pelos educadores e professores na comunicação com as crianças
sobre temas da Matemática, para as ajudar a formar os novos conceitos
e a aprender a versão em Português língua não
materna.
| Kriolu |
Português |
| ?
|
- “Forma o conjunto
das peças amarelas e redondas.” |
| ?
|
Somar / adicionar /
juntar / pôr mais / reunir
Frase para contextualizar:
- “A Bia quer pôr mais dois totós na boneca. Com
quantos totós ficou a boneca?”
- “O Adilson vai juntar os carros do Edson e do Toni.” |
ESCLARECIMENTOS ADICIONAIS
A utilidade
da recolha destas informações
linguísticas situa-se ao nível:
- de um ensino
da(s) língua(s) que valorize
mais a língua materna e a cultura de cada aluno e de cada
professor;
- do desenvolvimento
da capacidade de os alunos e os
professores reflectirem sobre o funcionamento das línguas (materna e não materna), sobre as
relações entre a linguagem oral e escrita e respectivas
normas;
- e da formação
de atitudes de respeito mútuo,
de interesse activo pela diversidade cultural e linguística
no arquipélago de Cabo Verde e noutros países, nomeadamente
Portugal.
A colecção de informações
recolhidas com a colaboração de professores
portugueses e caboverdianos não será exaustiva,
pelo que qualquer pequena informação
será sempre bem vinda, pois
ajudará a caracterizar a diversidade de experiências.
Todos os contributos recolhidos nas
escolas em Cabo Verde deverão ser entregues à Professora
Margarida Santos, do Instituto Pedagógico do Mindelo.
(*) com a colaboração
de Educadores e Professores - Mindelo, Cabo Verde
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