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Esta conversa começou
quando a Ariana (7 anos), a Débora (5 anos) e a mãe, D.
Antónia, estavam a ver fotografias sobre as férias do
Verão que passaram na praia Vasco da Gama, em Sines.
Elas foram com o Maurizio, o irmão, e o amigo Jorge. O
pai deles não foi porque não gosta de praia.
Eles estavam na praia até
à hora de almoço e à tarde iam passear. Uma vez
visitaram a casa onde nasceu Vasco da Gama, o navegador
português que descobriu o caminho marítimo para a
Índia.
Ariana: A minha sombra parece uma girafa! Foi giro
ir todos os dias à praia de Sines. Só faltámos um dia
porque o céu estava nublado.
Olha, esta fotografia é da casa do Vasco da Gama. Eu
lembro-me de quando nós estivemos lá. Como é que uma
casa tão velha ainda está em pé?
D.
Antónia: Deve ser porque as pessoas que viveram na
casa depois dele fizeram obras para poderem morar lá.
Valeu a pena. A vista para o mar é bonita!
Débora: A Ariana, quando ia à praia, ia para
dentro de um buraco grande na areia. O Jorge e o
Maurizio ajudaram a escavar o buraco na areia e fizeram
um túnel. Depois o Maurizio entrou lá para dentro e
taparam a barriga com areia até ao pescoço. Só se via a
cabeça!
E
noutro dia nós fomos àquela praia das ondas grandes.
Como é que se chama essa praia?
D.
Antónia: Essa praia chama-se Praia do Guincho.
Débora: É essa praia. E eu fui para baixo das
ondas. Gostei!
D.
Antónia: A Débora ficou muito contente quando
pisou a areia no primeiro dia. Mas, quando eu lhe
perguntei se ela queria molhar os pés na água do mar,
ela disse logo que não.
A Ariana quis ajudar e
disse "Anda, Débora! Não tenhas medo. Eu vou contigo.
Dá-me a mão." Mas a Débora fez uma cara meio zangada,
meio assustada. Sentou-se no chão e fez muita força para
nós não a levarmos. Desisti, porque ela estava quase a
chorar com medo.
No segundo dia, a Débora
aproximou-se um bocadinho do mar para apanhar areia
molhada com o balde. Ela precisava de muita areia
molhada para a casa que estava a fazer ao pé das nossas
roupas.
No
terceiro dia, aproximou-se mais um bocadinho do mar.
Riu-se porque a Ariana e o Maurizio davam mergulhos e
cambalhotas nas ondas. Avançou um pouco mais para fazer
uma cova na areia e uma onda molhou-lhe os pés. Ela
gostou! Fiquei admirada! Deu mais uns passos e ficou com
a água pelos joelhos e a sorrir... A Débora já tinha
perdido o medo do mar!
Agora tenho que lhe dizer
para ter cuidado. Só pode tomar banhos de mar ao pé de
mim ou de uma pessoa conhecida. Molha-se dos pés à
cabeça. Fica a rir com a água a escorrer pela cara
abaixo e diz que a água é salgada. Está sempre a dar
corridinhas para se molhar ou para fugir de uma onda
maior. É difícil convencê-la a sair da praia. Até no
Inverno ela quer tirar os sapatos para molhar os pés no
mar, mesmo quando está vestida com muita roupa por causa
do frio. A Débora ficou mais crescida e mais forte
durante estas férias.
ENSINAR CONVERSANDO -
Sugestões metodológicas e de actividades
1º.
Ö
Palavra puxa palavra
Nota prévia:
O conceito de praia,
para muitas crianças, caracteriza-se por ser um lugar à
beira mar, onde passam as férias do Verão e onde podem
brincar com a água do mar e com a areia, fazer jogos,
estender-se a apanhar sol, nadar e dar mergulhos em
calções, fato de banho ou até nus.
Mas, para outras crianças,
o conceito de praia não inclui a areia (conhecem apenas
o chão de calhaus rolados), nem a água salgada (no caso
de conhecerem apenas praias de rio ou de lagoas de água
doce). Por vezes, as rochas à beira mar são o que mais
se aproxima do conceito de praia.
O conceito de praia também
pode estar associado à actividade de pesca dos adultos,
às tentativas que as crianças fazem para os imitarem e a
algumas brincadeiras entre crianças ou jovens. Apanhar
sol em fato de banho para se bronzear, estendido na
areia, é algo desconhecido e pode causar estranheza.
Este conceito não está associado a férias no sentido da
primeira definição. Na maior parte destes casos, a
habitação situa-se perto da praia e o rendimento da
família não permite a deslocação para um local de mero
lazer.
...E há crianças que nunca
viram ou ouviram falar de praia.
O conceito de férias
para algumas crianças caracteriza-se apenas pela
ausência de aulas e pela permanência em casa ou no
bairro; não inclui a saída de casa para usufruir de um
período de lazer noutro local. Os pais não gozam férias
porque os rendimentos não o permitem, por razões
culturais ou por opção de vida.
Formas de motivar para a conversa
Em
face da diversidade de experiências de vida e de
conceitos, o educador e o professor poderão, na véspera
da exploração do texto, propor aos alunos que conversem
com a família e que tragam fotografias e outros
materiais relacionados com o tema Praia.
A conversa pode partir da
observação e apreciação desses materiais, ou das
fotografias que acompanham o texto.
Os
alunos, consoante o nível de desenvolvimento das suas
competências de comunicação, podem dizer ou
escrever palavras que associem ao tema e falar
das suas experiências.
Preparação da leitura do texto Brincar na praia
(Modelo de abordagem do texto:
4
link para Ensinar conversando –
Planificar o ensino e a aprendizagem; Bibliografia:
Fischer, Dias e Correia: 2001)
-
Antecipação do texto
Estimular a descrição do que os alunos sabem e do
que observaram.
Os
alunos (ícone L2/Nível
Iniciação) e os alunos (ícone
£
L1) necessitarão de estímulos que lhes permitam
compreender o que ouvem e participar na conversa.
Necessitarão, p. ex., de suporte visual para os
vocábulos chave (p. ex.: sombra, praia, areia,
mar, balde...), de ter experiências de
manipulação (p. ex., de areia), de observação da própria
sombra ou de ”sombras chinesas” projectadas na parede.
Os
alunos (ícone L2/Nível
Intermédio) poderão observar ilustrações alusivas
aos feitos de Vasco da Gama e à vida nesse tempo, em
Portugal e noutras regiões do mundo; poderão fazer
comparações (p. ex., entre o vestuário e os barcos do
séc. XV e o vestuário e os barcos actuais,
respectivamente).
-
Abordagem do texto
Os
alunos (ícone L2/Nível
Iniciação) e aos alunos (ícone
£
L1) podemos sugerir que identifiquem apenas algumas
palavras (praia, mãe, pai, céu)
e que expliquem o seu significado.
Os
alunos (ícone L2/Nível
Intermédio) poderão reconhecer e ler
frases, estabelecendo associações e comparações, como na
frase “A minha sombra parece uma girafa!”
Na
leitura do texto – pelo adulto ou por um aluno
mais experiente – os alunos (ícone
L2/Nível Iniciação) poderão ler apenas
algumas palavras que já utilizaram na antecipação
do texto.
Os
alunos (ícone L2/Nível
Intermédio) poderão ler e interpretar
frases ou o texto, descrever os conteúdos,
interpretar.
Questões para estimular a atenção sobre o tema e a
interpretação do texto
(a
minha sombra, buraco, girafa; fazer comparações)
-
O que
é que a D. Antónia contou sobre a sua filha
Débora?
-
Por que
é que a Débora disse não à mãe? Estava a ser
desobediente ou o motivo foi outro?
-
O que
fez a Ariana para ajudar a irmã?
-
Para que
é que a Débora foi buscar areia molhada?
-
De que emoções (tristeza,
zanga, susto) e sentimentos (amizade; gostar,
detestar) falaram? Os alunos podem representar
emoções através de desenhos, da mímica, da
dramatização, de modo a clarificarem os significados
respectivos.
-
Conversa sobre o texto
Questões para estimular a comunicação sobre o texto
Os
alunos podem estabelecer associações com informações
relacionadas com o texto, acrescentar conteúdos,
aprofundar a conversa sobre uma particularidade mais
significativa para os participantes (por exemplo, outras
situações que causam medo).
Para os alunos (ícone
L2/Nível Intermédio; 4º
ano, 5º e 6º anos).
-
Como sabemos
que estes meninos não estavam numa praia do hemisfério
sul?
-
Qual
foi a regra de segurança que a D. Antónia explicou à
Débora?
-
Que outras
regras de segurança devem ser respeitadas pelos
banhistas?
-
Evocar termos,
em português e noutras línguas,
relacionados com o mar.
Por exemplo:
-
nomes de diferentes tipos de barcos (Nau
Catrineta, traineira, bote, navio, petroleiro, porta
aviões; yacht)
-
personagens (Fernão Mendes Pinto, o marinheiro
Popeye, o capitão Gancho, o capitão Haddock)
-
expressões: meter água, pescador de
águas turvas; mareado; chegar a bom porto;
estar de boa maré; à bolina);
-
actividades desportivas: canoagem, vela, surf,
windsurf.
-
comparação de palavras e expressões no português
antigo (manjar), em uso no tempo de Vasco da
Gama, e no português moderno (comer).
Exemplo:
Poema de um poeta argentino sobre as gaivotas.
Livre como uma pena
Nunca deixa de voar,
Parece um floco de espuma
Que se desprendeu do mar.
2º.
KKK
O desejo de saber: nascimento dos projectos
Ideias para projectos individuais ou de grupo
a)
Pescar no mar da ilha da Madeira
O
aluno fundamenta a sua escolha.
Por exemplo: Eu gostei de ir no barco de um amigo do
meu pai para pescar perto de Machico, no mar da ilha da
Madeira. Acho que os meus colegas vão gostar de saber,
porque foi uma grande aventura. Também tomei banhos de
mar, mas as praias da ilha da Madeira são muito
diferentes das de Portugal continental porque têm
calhaus rolados..
b)
Visitar as praias em Cabo Verde
O
aluno fundamenta a sua escolha.
Por exemplo: Eu fiquei curioso quando ouvi uns amigos
dos meus pais contarem como foram as férias na praia da
ilha do Sal. Mas eu sei que Cabo Verde tem muitas ilhas.
Se eu pudesse, gostava de ir às praias de todas as
ilhas. Mas, primeiro, tenho que saber o que é preciso
fazer. Talvez os meus pais me deixem ir com o meu amigo
Toni, quando for visitar os avós dele nas férias do
Verão, em Ribeira Fria, na ilha de Santo Antão.
3º.
2.
"
Concretizar e organizar os desejos
Exemplos de
desenvolvimento de projectos
a) Projecto
A pesca na ilha da Madeira
Para que todos os
colegas compreendam o trabalho, é necessário:
-
localizar, no mapa,
o arquipélago da Madeira e a vila de Machico;
-
pesquisar sobre os
meios de transporte de passageiros para a ilha;
-
identificar os
peixes que se podem pescar no mar da Madeira (sargo,
peixe espada preto, atum) e as diferentes técnicas de
pesca.
b) Projecto As praias de Cabo Verde
Para que todos os colegas compreendam o trabalho, é
necessário:
-
Arranjar um
mapa para localizar
Cabo Verde e Portugal e ler a escala
que ajuda a saber qual é a distância que separa os
dois países, ou que separa a ilha da Madeira da ilha
do Sal.
-
Recolher informação
sobre meios de transporte entre Portugal e Cabo Verde,
onde se situam as praias, como são (têm areia? pode-se
nadar à vontade ou há tubarões?).
-
Entrevistar
pessoas que já visitaram essas praias (preparar as
perguntas e arranjar um gravador; ou pedir a essas
pessoas para responderem por escrito a um
questionário).
-
Perguntar ao Toni
como é que ele e a família costumam fazer a viagem,
como é a Ribeira Grande, qual é o transporte.
-
Reunir fotografias e
folhetos turísticos seleccionados,
nomeadamente sobre a ilha de Santo Antão. Perguntar
aos pais e aos pais do Toni se é possível ver a praia
da ilha do Sal mais próxima do aeroporto e ficar um
dia ou dois na ilha de S. Vicente, onde há praias
muito bonitas (porque em Santo Antão não há praias com
areia).
-
Preparar
a apresentação (com o Toni)
-
elaborar cartazes e uma maquete em gesso das ilhas do
Sal (onde os aviões vindos de Portugal e do Brasil fazem
escala), de S. Vicente (onde aterra o pequeno avião que
vai do Sal) e de Santo Antão (onde se chega de
catamaran);
-
preparar algumas expressões em caboverdiano (p. ex.,
Kel é bo nome? Mó ki bu txoma?) para ensinar aos
colegas e ao professor;
-
preparar a simulação de uma viagem (de avião, de barco)
e da venda de bilhetes (com o preço em Euros, se forem
comprados em Portugal, ou em escudos caboverdianos, se
forem comprados, p. ex., no cais do Mindelo, na ilha de
S. Vicente).
4º.
Apresentar e avaliar
(4
link
para Avaliar conversando;
Planificar o ensino e a aprendizagem, Maria da Luz
Correia)
a)
Projecto A pesca na ilha da Madeira
Questões para estimular a avaliação formativa
-
Quais são os meios de transporte necessários
para viajar do Continente para a lha da Madeira? A
família do Toni viaja de avião até à Ribeira Fria?
-
Onde há melhores praias na ilha do Sal, de S. Vicente
ou de Santo Antão?
Para os alunos (ícone
L2/Nível Iniciação) e aos alunos (ícone
£
L1)
O
professor e os alunos poderão avaliar o vocabulário
passivo e activo (mar, peixe, pescador, barco, avião;
pescar, voar, viajar) relacionado com os
conteúdos temáticos da conversa através:
Para os alunos (ícone
L2/Nível Intermédio)
-
Alguns comportamentos linguísticos e relacionais
poderão evidenciar o grau de compreensão da informação
nova e a atitude face aos colegas que apresentaram: os
pedidos de esclarecimento (p. ex., sobre
pormenores da técnica de pesca, sobre as sensações
durante a viagem de barco), os comentários ao
projecto apresentado, a localização, no mapa,
dos lugares descritos e as explicações por
palavras próprias.
b)
Projecto As praias de Cabo Verde
Questões para estimular a avaliação formativa
-
Quais são os meios de transporte necessários
para viajar de Portugal para Cabo Verde?
-
Por que
é que o lugar onde vivem os avós do Toni se chama
ilha? O que é um arquipélago?
-
Quais
são as ilhas de Cabo Verde onde há praias com areia?
Qual é a cor da areia?
Para os alunos (ícone
L2/Nível Iniciação) e aos alunos (ícone
£
L1)
O
professor e os alunos poderão avaliar o vocabulário
passivo e activo (barco, avião, aeroporto,
passageiro, bilhete, ilha, país, praia, mar, areia;
viajar, voar) através de:
-
um jogo (com a imagem associada à palavra), do
tipo loto ou jogo da glória; o vocabulário novo é
utilizado para os alunos:
-
associarem o nome ouvido à imagem;
-
associarem o nome ouvido ao nome
escrito;
-
comunicarem sob a forma de pergunta-resposta ou
para interagirem em novas conversas.
-
uma simulação de bilheteira, em que um ou dois
alunos desempenham o papel de vendedores e outros
desempenham o papel de passageiros.
Para os alunos (ícone
L2/Nível Intermédio)
O
grau de compreensão da informação nova e a atitude face
aos colegas que apresentaram poderá ser evidenciada
através:
-
dos pedidos de esclarecimento (p. ex., sobre
pormenores da paisagem ou das viagens, sobre as
sensações durante a viagem de avião ou de barco, sobre
a comunicação com pessoas que falam caboverdiano);
-
dos comentários ao projecto apresentado;
-
de palavras ou expressões em caboverdiano;
-
e das explicações por palavras próprias sobre o
que viram e ouviram.
5º.
Novas ideias
-
Pesquisar sobre praias onde há tubarões, corais e onde
se podem ver peixes com muitas cores.
-
Entrevistar pescadores, marinheiros ou pilotos de
barcos sobre a profissão e as viagens no mar.
-
Recolher de histórias de pescadores e de tripulação de
navios mercantes e de passageiros.
-
Pesquisar sobre a vida no tempo em que o Vasco da Gama
viveu (a habitação, o vestuário, alimentação, a vida
das crianças em diferentes classes sociais, as
profissões, os meios de transporte; as medidas de
peso, de comprimento e de área).
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