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| GUIÃO
PARA ANÁLISE DE MATERIAIS
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| Introdução
A diversidade de línguas e de experiências de vida dos alunos nas escolas portuguesas é um dos motivos para os educadores e professores reflectirem sobre as formas de utilizar materiais didácticos em contextos multilingues e multiculturais. Ensinar (n)a língua oficial da escola a grupos multilingues deve partir do reconhecimento dessa diversidade e da sua assunção formal (Cummins: 1996; Landon: 1998) no projecto curricular de cada escola e de cada turma. Nesta perspectiva, cada escola e agrupamento de escolas terá a vantagem em ir organizando e aperfeiçoando uma colecção de materiais para estimular a aprendizagem de português como língua segunda e também da língua estrangeira. Mais do que nunca a selecção e a elaboração de materiais exigem clareza de critérios na perspectiva de diferenciação pedagógica positiva. No entanto, é sobretudo a metodologia de utilização que condiciona a qualidade das aprendizagens curriculares. A opção metodológica determina o tipo de mediação que o educador e o professor fazem entre o aluno e o material de aprendizagem. Durante a mediação e orientação das tarefas de aprendizagem da língua, os materiais – como instrumentos de aprendizagem e não como um fim em si mesmo – são adaptados de acordo com os tipos de interacção que se estabelecem (entre o aluno e a tarefa de aprendizagem, e entre os alunos), consoante as intenções explicitadas pelo professor e pelo aluno e consoante as aprendizagens por descoberta que também podem ocorrer fortuitamente (não previstas na planificação). A natureza dos materiais de aprendizagem é muito diversa: desde os simples objectos das rotinas diárias – cujos nomes podem ser agrupados pelos alunos em listas de vocabulário temático (temas de vida), à medida que vão aprendendo - até às gramáticas convencionais ou fichas de leitura e de interpretação. Neste CD-ROM estão em foco sobretudo os materiais e as metodologias de utilização que estimulam a construção de saberes linguísticos pelos próprios alunos e pelos educadores e professores, a partir das experiências culturais e dos saberes anteriores. Os alunos que falam uma língua diferente em casa são obrigados a fazer um esforço duplo: - por uma lado, têm de aprender, como todos os colegas, os conteúdos de cada área disciplinar (Matemática, Educação Física, Ciências da Natureza, Língua Portuguesa, etc.); - por outro lado, e no menor período de tempo possível, têm de adquirir as competências básicas de comunicação na língua oficial que não dominam, para compreenderem os professores e os colegas no âmbito das especificidades de cada área curricular; os alunos que já realizaram a iniciação à leitura e à escrita noutra língua e/ou noutro sistema de escrita enfrentam o desafio (e a frustração) de reiniciarem todo o processo, deixando de lado as aprendizagens efectuadas porque podem revelar-se inúteis no país de acolhimento. Os alunos também necessitam de desenvolver competências de comunicação em português para se socializarem, na comunidade escolar e na comunidade mais alargada, desenvolvendo relações de pertença e de amizade. O controlo da qualidade dos materiais pedagógicos e da sua utilização é um dos contributos para a escola inclusiva, na medida em que a qualidade da aprendizagem da língua – na vertente das competências de comunicação e na vertente das competências gramaticais – está associada ao sucesso educativo em geral e ao sucesso nas diversas aprendizagens curriculares. Os destinatários desta colecção são crianças do jardim de infância e alunos do ensino básico, pelo que é indispensável considerar que: - há um leque de idades muito amplo e vários estádios de desenvolvimento cognitivo, linguístico, psicomotor e social; - o desenvolvimento ocorreu em contextos culturais diversos; - a cultura do universo infantil tem características diferentes da cultura dos grupos de adolescentes em cada comunidade, tal como a cultura pode proporcionar experiências diferentes consoante o género e a idade;
- a
Convenção dos Direitos da Criança estabelece que as crianças das minorias
têm o direito de praticar a sua cultura, a sua religião e de falar a sua
língua, pelo que a utilização dos materiais deve incentivar o recurso
aos saberes na língua de casa quando está a aprender a língua não materna. Para que serve? O Guião é um instrumento que pode contribuir para a apreciação criteriosa das características de materiais: - disponíveis no mercado ou na comunidade - em processo de adaptação ou de elaboração pelos próprios professores. Ajuda na escolha dos materiais em função de critérios específicos, como, por exemplo: - os níveis de aprendizagem da língua (iniciação, aprofundamento ou consolidação) - os objectivos das tarefas e dos projectos de aprendizagem (da língua e/ou de outras áreas do currículo) - as necessidades de planificação articulada do ensino em projectos interdisciplinares (que mobilizam diferentes professores, particularmente entre o 5.º e o 9.º anos do ensino básico). A
explicitação de critérios de qualidade facilitará uma selecção fundamentada
dos materiais que melhor se adequam às necessidades de aprendizagem da
língua não materna, tendo em conta o projecto curricular de turma e a
gestão intercultural do mesmo. A importância da selecção fundamentada
aumenta sobretudo em países, como Portugal, onde escasseiam os materiais
específicos para ensinar a língua oficial como língua não materna e onde
ainda não está estabelecida a acreditação de materiais escolares. Como utilizar? A escolha ou elaboração dos materiais também deve considerar as especificidades de cada contexto educativo, como turmas onde coexistem alunos que falam várias línguas. Os mesmos materiais poderão ter um impacto diferente nos alunos, até nos alunos do mesmo grupo etário, devido à interacção de variáveis como: - as experiências de vida dos alunos e do professor* - os saberes prévios (linguísticos e não linguísticos) dos alunos e do professor*; - o grau de desenvolvimento das competências sociais-relacionais, nomeadamente as exigidas pelo meio escolar; - o grau de autonomia dos alunos na aprendizagem; - as características do grupo (sexo, nível de conhecimentos, origem sociocultural, duração do período de residência em Portugal como país de acolhimento...); - as metodologias de estimulação e as estratégias de motivação utilizadas pelo educador ou professor; - a utilização ou não da didáctica da língua não materna para ensinar a língua oficial aos alunos cuja língua materna é diferente. Nos seis exemplos seguintes descrevem-se diferentes tipos de materiais de apoio à aprendizagem da língua não materna (língua segunda e língua estrangeira). Em três casos (exemplos 1,2 e 4), descreve-se também a forma como foram utilizados; nos restantes casos (exemplos 3,5 e 6) destacam-se as potencialidades de utilização pedagógica. Estes exemplos ilustram algumas das questões relacionadas com a adequação dos materiais pedagógicos a diferentes contextos e necessidades dos alunos.
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